Educar Filhos não é Dificil

 

 

Autor(a): Elizabete Bifano

Não é nada raro presenciar cenas como a que vimos alguns dias atrás...

Era sábado à noite e saímos nós dois para jantar. Próximo de onde nos sentamos, algumas crianças pequenas começaram a brincar. Elas subiam e desciam, gritavam e se agitavam, como qualquer criança cheia de saúde e alegria. 

Não sei quantas vezes ouvi pai e mãe chamando as crianças. Diziam não, chamavam para perto de si, mandavam que sentassem e prometiam alguma disciplina que em nenhum momento os vi colocar em prática.

Houve um tempo em que um olhar bastava, um ou dois nãos e algumas chineladas... Essas então funcionavam na hora.

Agora, dez nãos, alguns tapas e olhares de reprovação, esses então, não fazem diferença alguma.

O problema são as crianças de hoje, dizem muitos. Elas já nascem espertas demais, 

já não obedecem, não escutam a gente, dizem os pais. Será?

Neste dia das crianças milhares de pais irão presentear seus filhos, levá-los para passear e fazer o que eles quiserem. Ótimo, crianças precisam disto. Entretanto, temo que muitos destes presentes e mimos sejam apenas formas de amenizar culpas e compensar a ausência e até gastar um dinheiro que talvez nem tenham.

Hoje, 60% das mulheres trabalha fora. Chefes e mães de família fazem cursos, freqüentam academia, viajam a trabalho, tem inúmeras atividades e dedicam tempo à igreja. Não é pra menos que vivam estressadíssimos! Portanto, pouco tempo, energia e equilíbrio emocional sobra para educar os filhos.

Tenho dito que criar filhos não é difícil, mas é muito trabalhoso. 

A receita não é complicada, entretanto, requer disponibilidade para executá-la.

É preciso investir bastante tempo, é preciso estar com eles em momentos que serão preciosos para admoestar, colocar no colo, consolar, beijar, enxugar lágrimas (estes, independente da idade que tenham), acompanhar as lições de casa, brincar, colocar para dormir, contar histórias, ensinar tarefas domésticas, ensinar a orar, ensinar a falar com os adultos, se comportar, usar e economizar o dinheiro, usar a disciplina que funciona com cada um dos filhos, por limites no tempo da TV, da internet, da brincadeira na rua ou no playground, na alimentação e nas respostas afiadas, conversar sobre honestidade, amizades, sexo, namoro, proteção pessoal, etc.

Se não forem os pais, quem poderá suprir as inúmeras necessidades físicas, emocionais, 

espirituais, religiosas e educacionais que as crianças precisam?

Um dos erros mais tolos e prejudiciais na educação dos filhos está em prometer e não cumprir. Se dez vezes os pais prometem dar uma palmada ou colocar de castigo ou proibir algo que gostem ou fazer qualquer outra ameaça, ou até mesmo prometer um brinquedo ou um passeio e não cumprir ficarão desacreditados. Qual o filho que vai escutar e obedecer pais que prometem e não cumprem, falam e nada fazem? O pior que essas "lições" aprendidas na infância permanecem. Crianças assim crescerão com problemas de respeitar os limites das drogas, do sexo ilícito, das ordens do chefe, enfim, os limites que a vida naturalmente nos impõe.

Nem autoritarismo, nem ausência de autoridade.

Doses equilibradas de afeto e atenção, disciplina e limites estaria de bom tamanho. Seria a verdadeira manifestação de amor por nossas crianças.